EletroPosto Calc
Infraestrutura de recarga de veículos elétricos · NBR 17019 · NBR 5410
Carga atual — Recarga de VE — Excedente — Capacidade —
✓Preencha os dados
O cálculo é atualizado a cada alteração.

Alimentação existente

Descreva o que já existe hoje. A capacidade disponível para recarga é o que sobra da entrada depois da carga própria da edificação.

Define o perfil padrão de simultaneidade e a curva de carga diária.
A
Proteção geral do padrão de entrada / QGBT.
kW
Usado para converter ampères do disjuntor geral em kW.
kW
Maior valor registrado em conta de energia ou medição. Sem histórico, use a demanda calculada do projeto elétrico.
%
Margem que não deve ser ocupada, para crescimento e erro de medição.
Se inviável, o dimensionamento força a solução por gerenciamento de carga.

Vagas e infraestrutura civil

Distâncias definem a queda de tensão, que costuma ser o critério que manda na seção do cabo em garagens longas.

Referência para a taxa de eletrificação futura.
m
m
Use o ramal mais desfavorável, não a média, se houver vagas muito distantes.
m

Pontos de recarga

Agrupe os pontos por potência e tipo. Cada linha vira um circuito-tipo dimensionado na etapa 4.

Descrição Pontos Modelo típico Potência (kW) Ligação Resposta ao controlador FP Rend.

Referência rápida de equipamentos

Potências usuais no mercado brasileiro. Modo 3 (AC) para vaga privativa, modo 4 (DC) para reposição rápida.

EquipamentoModoPotênciaCorrenteConectorAplicação típica
Wallbox monofásica33,7 kW16 ATipo 2Residência, recarga noturna longa
Wallbox monofásica37,4 kW32 ATipo 2Residência unifamiliar 220 V
Wallbox trifásica311 kW16 ATipo 2Condomínio, padrão mais usado
Wallbox trifásica322 kW32 ATipo 2Comércio, frota leve
Carregador DC compacto430–60 kW45–90 ACCS2Shopping, hotel, oportunidade
Carregador DC rápido490–150 kW140–230 ACCS2Rodovia, eletroposto público
i
A recarga em tomada comum (modo 1) não é admitida para uso permanente. A NBR 17019 exige circuito exclusivo, proteção diferencial dedicada e equipamento de recarga (EVSE) por ponto.

Simultaneidade

Nem todo mundo carrega ao mesmo tempo. O fator de simultaneidade é o que separa um projeto exequível de uma entrada superdimensionada.

A curva decresce com o número de pontos: quanto mais vagas, menor a chance de todas carregarem juntas.
%
h
Tempo em que o veículo fica plugado. Em condomínio, tipicamente das 19h às 6h.
km/dia
kWh/100km
R$/kWh

Gerenciamento de carga

Quando a soma dos carregadores excede a capacidade livre, há três caminhos: ampliar a entrada, limitar a potência ou escalonar horários.

O balanceamento dinâmico lê a carga real da edificação e devolve a folga aos carregadores em tempo real.
kW
Deixe 0 para o sistema adotar automaticamente toda a folga disponível.
A
Piso do protocolo de comunicação do EVSE. Abaixo disso a recarga é interrompida, não reduzida.
Deixe 0 para adotar o total de pontos instalados.

Curva de carga em 24 horas

Simulação do perfil da edificação somado à recarga dentro da janela informada.

A linha vermelha é a capacidade da entrada; a tracejada, a capacidade menos a reserva técnica. Perfil base normalizado por tipo de instalação — substitua por medição real quando houver.

Critérios de instalação

Os mesmos critérios valem para o alimentador e para os ramais. Ajuste conforme o projeto de infraestrutura.

°C
Garagens fechadas e subsolos costumam operar acima de 30 °C. Verifique antes de aceitar o padrão.
Ramais de recarga em prumada compartilhada sofrem forte redução de capacidade por agrupamento.
%
%
Limite da NBR 5410 para instalação alimentada por rede de distribuição pública.
Margem exigida do condutor, não da proteção: a recarga opera horas seguidas na corrente nominal. Adote 1,25, salvo indicação do fabricante do EVSE.

Admissibilidade dos pontos

Antes de dimensionar cabo, verifica-se o óbvio: cada equipamento cabe na entrada? Ponto que não responde ao controlador opera na potência nominal ou não opera.

Alimentador do quadro de recarga

Dimensionado para a demanda efetiva do conjunto, considerando a estratégia de gestão adotada.

Ramais dos pontos de recarga

Um circuito exclusivo por ponto, com proteção diferencial individual. Verificação feita no ramal mais desfavorável.

Proteções e aterramento

Balanço de potência

Energia e operação

Verifica se a janela de recarga entrega a energia que a frota consome por dia.

Comparação de cenários

Impacto de cada estratégia sobre a demanda e sobre o tempo de recarga.

CenárioDemanda de recargaDemanda totalFolgaPotência por pontoSituação

Expansão futura

Quantos pontos ainda cabem na entrada atual, mantendo a reserva técnica.

Diagrama unifilar simplificado

Representação esquemática do arranjo dimensionado. Não substitui o diagrama de projeto executivo.

Distribuição da demanda

Composição da demanda total por parcela.

Lista de materiais e serviços

Quantitativos calculados a partir do dimensionamento. Os preços unitários são indicativos e editáveis — substitua pelos valores da sua base de referência.

ItemUnid.Quant.Preço unitário (R$)Total (R$)
!
Os quantitativos consideram apenas a infraestrutura elétrica de recarga. Obra civil, sinalização de vaga, sistema de medição individualizada e adequação do SPDA devem ser levantados à parte.

Como usar em cinco minutos

O roteiro segue as abas na ordem. Cada alteração recalcula tudo; a barra no topo mostra, a qualquer momento, se a entrada de energia aguenta o que você acabou de configurar.

  1. Na aba Edificação, informe o disjuntor geral e a demanda que a edificação já usa. Esses dois números definem a folga.
  2. Na aba Carregadores, monte os grupos de pontos por potência e tipo de ligação.
  3. Na aba Uso e gestão de carga, escolha o critério de simultaneidade e a estratégia de gerenciamento.
  4. Na aba Cabos e proteções, ajuste método de instalação, temperatura e agrupamento — são eles que mudam a seção.
  5. Confira Resultados e gere o Relatório pelo botão no topo.

O projeto fica salvo no navegador automaticamente. Use Salvar para gerar um arquivo .json e levar o estudo para outro computador.

Normas aplicáveis

  • ABNT NBR 17019:2022 — Instalações elétricas de baixa tensão: requisitos para a alimentação de veículos elétricos. É a norma específica: exige circuito exclusivo por ponto, proteção diferencial dedicada, seccionamento e restringe o esquema TN-C.
  • ABNT NBR 5410:2004 — Instalações elétricas de baixa tensão. Base para capacidade de condução de corrente, fatores de correção, queda de tensão, condutor de proteção e coordenação das proteções.
  • ABNT NBR IEC 61851-1 — Sistema de recarga condutiva: define os modos 1 a 4 e o protocolo de comunicação piloto que permite modular a corrente entre 6 A e o máximo do ponto.
  • ABNT NBR IEC 62196 — Plugues, tomadas e acopladores. No Brasil predominam o Tipo 2 em corrente alternada e o CCS2 em corrente contínua.
  • IEC 62955 — Dispositivo de detecção de corrente diferencial contínua (RDC-DD) incorporado ao EVSE, que permite usar DR tipo A em vez de tipo B.
  • ABNT NBR 5419 — Proteção contra descargas atmosféricas, para a definição dos dispositivos de proteção contra surtos.
  • PRODIST Módulo 3 — Procedimentos de acesso à rede da distribuidora, aplicável quando o aumento de carga exige ampliação do ramal.

Confira sempre a edição vigente das normas e as tabelas originais. Este software é ferramenta de apoio: a responsabilidade técnica pelo projeto é de quem o assina.

Modos de recarga

A escolha do modo define quase tudo o que vem depois — proteção, cabo, custo e tempo de recarga.

  • Modo 1 — tomada comum, sem proteção dedicada nem comunicação. Não é admitido para uso permanente.
  • Modo 2 — cabo com dispositivo de proteção e controle embutido (ICCB), aquele que acompanha o veículo. Serve como recurso eventual, não como infraestrutura de condomínio.
  • Modo 3 — estação de recarga em corrente alternada fixa (wallbox), com circuito exclusivo e comunicação piloto. É o padrão para vaga privativa e o que este software dimensiona por padrão.
  • Modo 4 — recarga em corrente contínua, com o retificador na estação. Alta potência, exige análise específica de curto-circuito e, frequentemente, transformador dedicado.

Cálculo da demanda

A demanda de recarga de um grupo de pontos é:

D = n · Pponto · FS ⁄ η

onde n é o número de pontos, P a potência nominal do carregador, FS o fator de simultaneidade e η o rendimento do equipamento (relevante em corrente contínua, onde a potência de entrada supera a entregue à bateria).

A capacidade disponível para recarga é:

Cdisp = Centrada · (1 − reserva) − Datual

Quando a entrada é informada pelo disjuntor geral, a capacidade em quilowatts vem de C = √3 · V · I · FP em sistemas trifásicos e C = V · I · FP em monofásicos.

Laboratório · demanda

Fator de simultaneidade

Dimensionar um condomínio de 50 vagas para 50 carregadores de 11 kW ligados juntos daria 550 kW — número que nenhuma entrada residencial suporta e que nunca acontece na prática. O fator de simultaneidade corrige isso.

O software usa uma curva decrescente com o número de pontos:

FS(n) = FSmín + (1 − FSmín) · n−k

Para um único ponto o fator vale 1. À medida que o número cresce, converge para o piso característico do tipo de uso: por volta de 0,15 em condomínio com recarga noturna, 0,35 em escritório, 0,50 em estacionamento rotativo e 0,80 em recarga rápida pública.

Três cuidados que mudam o resultado:

  • Tarifa branca ou horária concentra a partida dos carregadores no mesmo minuto e eleva o fator real. Se o condomínio adota tarifa horária, considere escalonar a partida.
  • Frota cativa com rotina fixa (entrega, locadora) tem simultaneidade alta, próxima de 1.
  • Com balanceamento dinâmico instalado, a simultaneidade deixa de ser premissa de projeto: o limite passa a ser o setpoint do controlador.

Gerenciamento de carga

Divisão estática reparte uma potência fixa entre os pontos ativos. É barata e não precisa de medidor no ramal geral, mas ignora o que a edificação está consumindo e desperdiça folga na madrugada.

Balanceamento dinâmico mede a corrente no ramal de entrada e devolve aos carregadores toda a folga instantânea, respeitando um setpoint. Custa mais, exige transformadores de corrente no QGBT e comunicação entre as estações, e quase sempre é o que evita a obra de ampliação da entrada.

O limite físico do balanceamento é a corrente mínima de modulação: o protocolo do modo 3 não desce abaixo de 6 A por ponto. Se a potência disponível dividida pelos pontos ativos cair abaixo disso, o sistema não reduz — ele desliga carregadores e passa a operar por fila. Nesse ponto o software emite alerta.

Laboratório · piso de modulação

Admissibilidade do equipamento: a verificação que vem antes do cabo

Gerenciamento de carga não é passe livre. Ele reparte potência entre equipamentos que aceitam ser reduzidos. Um carregador que só opera na potência nominal — o caso típico do DC rápido — não entra nessa conta: ou a entrada comporta a potência dele, ou o equipamento está errado para o local.

Por isso a ferramenta classifica cada grupo pela resposta ao controlador:

  • Modulável até 6 A — estação em corrente alternada, modo 3. O piloto de controle permite descer até 6 A por ponto. É o comportamento padrão das wallboxes.
  • Modulável até 30 % — estação em corrente contínua com limitação de potência por protocolo de recarga inteligente, quando o fabricante declara essa faixa. Use somente com a declaração em mãos.
  • Não modulável — o equipamento opera na potência nominal ou não opera. Padrão para recarga rápida em corrente contínua.

Dessa classificação saem três consequências, e nenhuma delas depende do setpoint que o usuário digitar:

  1. A parcela não modulável é piso da demanda do conjunto. O controlador não a reduz, então ela entra inteira no balanço.
  2. O alimentador é dimensionado pelo maior valor entre a demanda efetiva, essa parcela fixa e o piso operacional do maior ponto. Reduzir o disjuntor de entrada não reduz o cabo de um equipamento que continua capaz de puxar a potência nominal.
  3. Se um único ponto não modulável já supera a folga da entrada, o resultado é reprovação direta: nenhuma estratégia de gestão viabiliza aquele equipamento naquele padrão de entrada.

Um exemplo que aparece muito em consulta: carregador de 150 kW em corrente contínua puxa cerca de 245 A na entrada em 380 V. Não existe padrão de 120 A, nem de 60 A, que comporte isso — e o cabo desse ramal continua sendo de 185 mm², porque ele tem de suportar o que o equipamento é capaz de exigir, não o que o controlador gostaria que ele exigisse. A saída é ampliar a entrada, prever transformador dedicado ou especificar equipamento compatível.

Dimensionamento dos condutores

A proteção é escolhida primeiro: In ≥ IB, sendo IB a corrente nominal do ponto de recarga. O disjuntor não é inflado pelo fator de uso contínuo — o EVSE limita a própria corrente e não vai puxar mais do que sua corrente nominal; a margem de continuidade é exigida do condutor.

A seção adotada é a maior entre quatro critérios:

  1. Coordenação com a proteção. A capacidade corrigida do condutor precisa cobrir a corrente nominal do disjuntor: Iz · FCT · FCA ≥ In.
  2. Uso contínuo. A recarga é uma carga de regime permanente: o condutor é verificado também contra 1,25 · IB. É o que impede adotar um cabo cuja tabela dá apenas 1 A de sobra.
  3. Queda de tensão. Em garagens longas este critério costuma dominar. O software soma a queda do alimentador com a do ramal e compara com o limite total.
  4. Seção mínima de circuito de recarga. Piso de projeto vinculado à proteção, correspondente à seção que conduz 1,25 · In em cobre, método B1, a 30 °C.
ProteçãoSeção mínimaPonto típico
16 A2,5 mm²3,7 kW monofásico
20 A4 mm²11 kW trifásico (16 A)
32 A6 mm²22 kW trifásico (32 A)
40 A6 mm²7,4 kW monofásico (32 A)
50 A10 mm²alimentador de conjunto pequeno
63 A16 mm²alimentador de quadro de recarga

Por isso um ponto de 11 kW nunca sai com 2,5 mm² nesta ferramenta, ainda que a tabela isolada de capacidade de condução admitisse: os 26 A tabelados de um 2,5 mm² em EPR ficam a 5 A da corrente de uso contínuo de um circuito que fica oito horas ligado, todas as noites, por anos.

A queda é calculada por ΔV = k · I · L · (ρ⁄S · cosφ + x · senφ), com k = 2 em circuitos monofásicos e bifásicos e k = √3 em trifásicos, resistividade corrigida para a temperatura da isolação e reatância de 0,1 Ω/km.

O agrupamento é o fator mais subestimado em projeto de recarga: seis ramais na mesma prumada reduzem a capacidade de cada cabo em cerca de 43%.

Laboratório · queda de tensão

Proteções

  • Disjuntor — curva C, coordenado por IB ≤ In ≤ Iz. A corrente de projeto já inclui o fator de carga contínua.
  • Diferencial residual — obrigatório e exclusivo por ponto de recarga, com corrente diferencial de 30 mA. Usa-se tipo A quando o EVSE possui detecção interna de corrente contínua residual de 6 mA conforme IEC 62955; caso contrário, tipo B. Compartilhar um DR entre dois pontos causa desarme cruzado e não atende à norma.
  • Proteção contra surtos — DPS classe II no quadro de recarga; classe I+II quando a alimentação vem de linha aérea ou a edificação possui SPDA.
  • Seccionamento — dispositivo de manobra que permita isolar o quadro de recarga sem desligar o restante da edificação.
  • Aterramento — esquema TN-S ou TT. Em TN-C a norma restringe a aplicação: a função de neutro e proteção no mesmo condutor é incompatível com a proteção diferencial do ponto de recarga.

Erros frequentes em projeto de recarga

Dimensionar pelo somatório das potências nominais
Leva a orçar uma ampliação de entrada que o condomínio não aprova. Aplique simultaneidade e apresente o cenário com balanceamento dinâmico ao lado, para comparação.
Ignorar o agrupamento na prumada
Vários ramais no mesmo shaft podem exigir seção duas vezes maior. Verifique o fator de correção antes de fechar a infraestrutura civil.
Usar um único DR para várias vagas
Além de contrariar a NBR 17019, provoca desarme de todos os pontos por falta em um único veículo. É a principal reclamação de condomínio depois da instalação.
Não prever a infraestrutura civil da expansão
Eletrocalha e prumada custam pouco na obra e muito depois. Dimensione o conduto para a taxa de eletrificação futura, mesmo instalando poucos pontos agora.
Esquecer a medição individualizada
Sem medir o consumo por vaga não há como ratear a conta. Defina desde o início se a medição será pelo EVSE ou por medidor externo.

Glossário

  • EVSE — equipamento de alimentação do veículo elétrico; a estação ou wallbox.
  • Setpoint — potência máxima que o conjunto de recarga pode consumir, imposta pelo controlador de carga.
  • Piloto de controle — sinal que informa ao veículo a corrente máxima disponível no ponto.
  • RDC-DD — dispositivo que detecta corrente contínua residual de 6 mA dentro do EVSE.
  • Fator de simultaneidade — razão entre a potência efetivamente demandada e a soma das potências instaladas.
  • Capacidade de condução (Iz) — corrente que o condutor conduz continuamente sem ultrapassar a temperatura da isolação, já corrigida pelos fatores de instalação.

Verificação do motor de cálculo

Executa a suíte de testes embarcada sobre as funções de cálculo. Use após qualquer customização do arquivo.

Aguardando execução.