Alimentação existente
Descreva o que já existe hoje. A capacidade disponível para recarga é o que sobra da entrada depois da carga própria da edificação.
Vagas e infraestrutura civil
Distâncias definem a queda de tensão, que costuma ser o critério que manda na seção do cabo em garagens longas.
Pontos de recarga
Agrupe os pontos por potência e tipo. Cada linha vira um circuito-tipo dimensionado na etapa 4.
| Descrição | Pontos | Modelo típico | Potência (kW) | Ligação | Resposta ao controlador | FP | Rend. |
|---|
Referência rápida de equipamentos
Potências usuais no mercado brasileiro. Modo 3 (AC) para vaga privativa, modo 4 (DC) para reposição rápida.
| Equipamento | Modo | Potência | Corrente | Conector | Aplicação típica |
|---|---|---|---|---|---|
| Wallbox monofásica | 3 | 3,7 kW | 16 A | Tipo 2 | Residência, recarga noturna longa |
| Wallbox monofásica | 3 | 7,4 kW | 32 A | Tipo 2 | Residência unifamiliar 220 V |
| Wallbox trifásica | 3 | 11 kW | 16 A | Tipo 2 | Condomínio, padrão mais usado |
| Wallbox trifásica | 3 | 22 kW | 32 A | Tipo 2 | Comércio, frota leve |
| Carregador DC compacto | 4 | 30–60 kW | 45–90 A | CCS2 | Shopping, hotel, oportunidade |
| Carregador DC rápido | 4 | 90–150 kW | 140–230 A | CCS2 | Rodovia, eletroposto público |
Simultaneidade
Nem todo mundo carrega ao mesmo tempo. O fator de simultaneidade é o que separa um projeto exequível de uma entrada superdimensionada.
Gerenciamento de carga
Quando a soma dos carregadores excede a capacidade livre, há três caminhos: ampliar a entrada, limitar a potência ou escalonar horários.
Curva de carga em 24 horas
Simulação do perfil da edificação somado à recarga dentro da janela informada.
Critérios de instalação
Os mesmos critérios valem para o alimentador e para os ramais. Ajuste conforme o projeto de infraestrutura.
Admissibilidade dos pontos
Antes de dimensionar cabo, verifica-se o óbvio: cada equipamento cabe na entrada? Ponto que não responde ao controlador opera na potência nominal ou não opera.
Alimentador do quadro de recarga
Dimensionado para a demanda efetiva do conjunto, considerando a estratégia de gestão adotada.
Ramais dos pontos de recarga
Um circuito exclusivo por ponto, com proteção diferencial individual. Verificação feita no ramal mais desfavorável.
Proteções e aterramento
Balanço de potência
Energia e operação
Verifica se a janela de recarga entrega a energia que a frota consome por dia.
Comparação de cenários
Impacto de cada estratégia sobre a demanda e sobre o tempo de recarga.
| Cenário | Demanda de recarga | Demanda total | Folga | Potência por ponto | Situação |
|---|
Expansão futura
Quantos pontos ainda cabem na entrada atual, mantendo a reserva técnica.
Diagrama unifilar simplificado
Representação esquemática do arranjo dimensionado. Não substitui o diagrama de projeto executivo.
Distribuição da demanda
Lista de materiais e serviços
Quantitativos calculados a partir do dimensionamento. Os preços unitários são indicativos e editáveis — substitua pelos valores da sua base de referência.
| Item | Unid. | Quant. | Preço unitário (R$) | Total (R$) |
|---|
Como usar em cinco minutos
O roteiro segue as abas na ordem. Cada alteração recalcula tudo; a barra no topo mostra, a qualquer momento, se a entrada de energia aguenta o que você acabou de configurar.
- Na aba Edificação, informe o disjuntor geral e a demanda que a edificação já usa. Esses dois números definem a folga.
- Na aba Carregadores, monte os grupos de pontos por potência e tipo de ligação.
- Na aba Uso e gestão de carga, escolha o critério de simultaneidade e a estratégia de gerenciamento.
- Na aba Cabos e proteções, ajuste método de instalação, temperatura e agrupamento — são eles que mudam a seção.
- Confira Resultados e gere o Relatório pelo botão no topo.
O projeto fica salvo no navegador automaticamente. Use Salvar para gerar um arquivo .json e levar o estudo para outro computador.
Normas aplicáveis
- ABNT NBR 17019:2022 — Instalações elétricas de baixa tensão: requisitos para a alimentação de veículos elétricos. É a norma específica: exige circuito exclusivo por ponto, proteção diferencial dedicada, seccionamento e restringe o esquema TN-C.
- ABNT NBR 5410:2004 — Instalações elétricas de baixa tensão. Base para capacidade de condução de corrente, fatores de correção, queda de tensão, condutor de proteção e coordenação das proteções.
- ABNT NBR IEC 61851-1 — Sistema de recarga condutiva: define os modos 1 a 4 e o protocolo de comunicação piloto que permite modular a corrente entre 6 A e o máximo do ponto.
- ABNT NBR IEC 62196 — Plugues, tomadas e acopladores. No Brasil predominam o Tipo 2 em corrente alternada e o CCS2 em corrente contínua.
- IEC 62955 — Dispositivo de detecção de corrente diferencial contínua (RDC-DD) incorporado ao EVSE, que permite usar DR tipo A em vez de tipo B.
- ABNT NBR 5419 — Proteção contra descargas atmosféricas, para a definição dos dispositivos de proteção contra surtos.
- PRODIST Módulo 3 — Procedimentos de acesso à rede da distribuidora, aplicável quando o aumento de carga exige ampliação do ramal.
Confira sempre a edição vigente das normas e as tabelas originais. Este software é ferramenta de apoio: a responsabilidade técnica pelo projeto é de quem o assina.
Modos de recarga
A escolha do modo define quase tudo o que vem depois — proteção, cabo, custo e tempo de recarga.
- Modo 1 — tomada comum, sem proteção dedicada nem comunicação. Não é admitido para uso permanente.
- Modo 2 — cabo com dispositivo de proteção e controle embutido (ICCB), aquele que acompanha o veículo. Serve como recurso eventual, não como infraestrutura de condomínio.
- Modo 3 — estação de recarga em corrente alternada fixa (wallbox), com circuito exclusivo e comunicação piloto. É o padrão para vaga privativa e o que este software dimensiona por padrão.
- Modo 4 — recarga em corrente contínua, com o retificador na estação. Alta potência, exige análise específica de curto-circuito e, frequentemente, transformador dedicado.
Cálculo da demanda
A demanda de recarga de um grupo de pontos é:
D = n · Pponto · FS ⁄ η
onde n é o número de pontos, P a potência nominal do carregador, FS o fator de simultaneidade e η o rendimento do equipamento (relevante em corrente contínua, onde a potência de entrada supera a entregue à bateria).
A capacidade disponível para recarga é:
Cdisp = Centrada · (1 − reserva) − Datual
Quando a entrada é informada pelo disjuntor geral, a capacidade em quilowatts vem de C = √3 · V · I · FP em sistemas trifásicos e C = V · I · FP em monofásicos.
Laboratório · demanda
Fator de simultaneidade
Dimensionar um condomínio de 50 vagas para 50 carregadores de 11 kW ligados juntos daria 550 kW — número que nenhuma entrada residencial suporta e que nunca acontece na prática. O fator de simultaneidade corrige isso.
O software usa uma curva decrescente com o número de pontos:
FS(n) = FSmín + (1 − FSmín) · n−k
Para um único ponto o fator vale 1. À medida que o número cresce, converge para o piso característico do tipo de uso: por volta de 0,15 em condomínio com recarga noturna, 0,35 em escritório, 0,50 em estacionamento rotativo e 0,80 em recarga rápida pública.
Três cuidados que mudam o resultado:
- Tarifa branca ou horária concentra a partida dos carregadores no mesmo minuto e eleva o fator real. Se o condomínio adota tarifa horária, considere escalonar a partida.
- Frota cativa com rotina fixa (entrega, locadora) tem simultaneidade alta, próxima de 1.
- Com balanceamento dinâmico instalado, a simultaneidade deixa de ser premissa de projeto: o limite passa a ser o setpoint do controlador.
Gerenciamento de carga
Divisão estática reparte uma potência fixa entre os pontos ativos. É barata e não precisa de medidor no ramal geral, mas ignora o que a edificação está consumindo e desperdiça folga na madrugada.
Balanceamento dinâmico mede a corrente no ramal de entrada e devolve aos carregadores toda a folga instantânea, respeitando um setpoint. Custa mais, exige transformadores de corrente no QGBT e comunicação entre as estações, e quase sempre é o que evita a obra de ampliação da entrada.
O limite físico do balanceamento é a corrente mínima de modulação: o protocolo do modo 3 não desce abaixo de 6 A por ponto. Se a potência disponível dividida pelos pontos ativos cair abaixo disso, o sistema não reduz — ele desliga carregadores e passa a operar por fila. Nesse ponto o software emite alerta.
Laboratório · piso de modulação
Admissibilidade do equipamento: a verificação que vem antes do cabo
Gerenciamento de carga não é passe livre. Ele reparte potência entre equipamentos que aceitam ser reduzidos. Um carregador que só opera na potência nominal — o caso típico do DC rápido — não entra nessa conta: ou a entrada comporta a potência dele, ou o equipamento está errado para o local.
Por isso a ferramenta classifica cada grupo pela resposta ao controlador:
- Modulável até 6 A — estação em corrente alternada, modo 3. O piloto de controle permite descer até 6 A por ponto. É o comportamento padrão das wallboxes.
- Modulável até 30 % — estação em corrente contínua com limitação de potência por protocolo de recarga inteligente, quando o fabricante declara essa faixa. Use somente com a declaração em mãos.
- Não modulável — o equipamento opera na potência nominal ou não opera. Padrão para recarga rápida em corrente contínua.
Dessa classificação saem três consequências, e nenhuma delas depende do setpoint que o usuário digitar:
- A parcela não modulável é piso da demanda do conjunto. O controlador não a reduz, então ela entra inteira no balanço.
- O alimentador é dimensionado pelo maior valor entre a demanda efetiva, essa parcela fixa e o piso operacional do maior ponto. Reduzir o disjuntor de entrada não reduz o cabo de um equipamento que continua capaz de puxar a potência nominal.
- Se um único ponto não modulável já supera a folga da entrada, o resultado é reprovação direta: nenhuma estratégia de gestão viabiliza aquele equipamento naquele padrão de entrada.
Um exemplo que aparece muito em consulta: carregador de 150 kW em corrente contínua puxa cerca de 245 A na entrada em 380 V. Não existe padrão de 120 A, nem de 60 A, que comporte isso — e o cabo desse ramal continua sendo de 185 mm², porque ele tem de suportar o que o equipamento é capaz de exigir, não o que o controlador gostaria que ele exigisse. A saída é ampliar a entrada, prever transformador dedicado ou especificar equipamento compatível.
Dimensionamento dos condutores
A proteção é escolhida primeiro: In ≥ IB, sendo IB a corrente nominal do ponto de recarga. O disjuntor não é inflado pelo fator de uso contínuo — o EVSE limita a própria corrente e não vai puxar mais do que sua corrente nominal; a margem de continuidade é exigida do condutor.
A seção adotada é a maior entre quatro critérios:
- Coordenação com a proteção. A capacidade corrigida do condutor precisa cobrir a corrente nominal do disjuntor: Iz · FCT · FCA ≥ In.
- Uso contínuo. A recarga é uma carga de regime permanente: o condutor é verificado também contra 1,25 · IB. É o que impede adotar um cabo cuja tabela dá apenas 1 A de sobra.
- Queda de tensão. Em garagens longas este critério costuma dominar. O software soma a queda do alimentador com a do ramal e compara com o limite total.
- Seção mínima de circuito de recarga. Piso de projeto vinculado à proteção, correspondente à seção que conduz 1,25 · In em cobre, método B1, a 30 °C.
| Proteção | Seção mínima | Ponto típico |
|---|---|---|
| 16 A | 2,5 mm² | 3,7 kW monofásico |
| 20 A | 4 mm² | 11 kW trifásico (16 A) |
| 32 A | 6 mm² | 22 kW trifásico (32 A) |
| 40 A | 6 mm² | 7,4 kW monofásico (32 A) |
| 50 A | 10 mm² | alimentador de conjunto pequeno |
| 63 A | 16 mm² | alimentador de quadro de recarga |
Por isso um ponto de 11 kW nunca sai com 2,5 mm² nesta ferramenta, ainda que a tabela isolada de capacidade de condução admitisse: os 26 A tabelados de um 2,5 mm² em EPR ficam a 5 A da corrente de uso contínuo de um circuito que fica oito horas ligado, todas as noites, por anos.
A queda é calculada por ΔV = k · I · L · (ρ⁄S · cosφ + x · senφ), com k = 2 em circuitos monofásicos e bifásicos e k = √3 em trifásicos, resistividade corrigida para a temperatura da isolação e reatância de 0,1 Ω/km.
O agrupamento é o fator mais subestimado em projeto de recarga: seis ramais na mesma prumada reduzem a capacidade de cada cabo em cerca de 43%.
Laboratório · queda de tensão
Proteções
- Disjuntor — curva C, coordenado por IB ≤ In ≤ Iz. A corrente de projeto já inclui o fator de carga contínua.
- Diferencial residual — obrigatório e exclusivo por ponto de recarga, com corrente diferencial de 30 mA. Usa-se tipo A quando o EVSE possui detecção interna de corrente contínua residual de 6 mA conforme IEC 62955; caso contrário, tipo B. Compartilhar um DR entre dois pontos causa desarme cruzado e não atende à norma.
- Proteção contra surtos — DPS classe II no quadro de recarga; classe I+II quando a alimentação vem de linha aérea ou a edificação possui SPDA.
- Seccionamento — dispositivo de manobra que permita isolar o quadro de recarga sem desligar o restante da edificação.
- Aterramento — esquema TN-S ou TT. Em TN-C a norma restringe a aplicação: a função de neutro e proteção no mesmo condutor é incompatível com a proteção diferencial do ponto de recarga.
Erros frequentes em projeto de recarga
Dimensionar pelo somatório das potências nominais
Ignorar o agrupamento na prumada
Usar um único DR para várias vagas
Não prever a infraestrutura civil da expansão
Esquecer a medição individualizada
Glossário
- EVSE — equipamento de alimentação do veículo elétrico; a estação ou wallbox.
- Setpoint — potência máxima que o conjunto de recarga pode consumir, imposta pelo controlador de carga.
- Piloto de controle — sinal que informa ao veículo a corrente máxima disponível no ponto.
- RDC-DD — dispositivo que detecta corrente contínua residual de 6 mA dentro do EVSE.
- Fator de simultaneidade — razão entre a potência efetivamente demandada e a soma das potências instaladas.
- Capacidade de condução (Iz) — corrente que o condutor conduz continuamente sem ultrapassar a temperatura da isolação, já corrigida pelos fatores de instalação.
Verificação do motor de cálculo
Executa a suíte de testes embarcada sobre as funções de cálculo. Use após qualquer customização do arquivo.