O TaludePro é uma ferramenta de apoio ao cálculo de estabilidade de taludes por métodos de equilíbrio-limite (Fellenius e Bishop Simplificado), destinada a profissionais e estudantes de geotecnia.
Os resultados dependem exclusivamente dos parâmetros geotécnicos informados pelo usuário e não substituem investigação de campo (sondagens, ensaios in situ) nem ensaios de laboratório.
Este software não substitui a análise, o dimensionamento final e a assinatura de um responsável técnico habilitado (engenheiro civil/geotécnico), conforme legislação e normas vigentes, incluindo a NBR 11.682.
Os valores de fator de segurança mínimo sugeridos são referenciais; a edição vigente da norma técnica deve ser sempre consultada.
Os autores e desenvolvedores do TaludePro não se responsabilizam por danos materiais, humanos ou ambientais decorrentes do uso, mau uso ou interpretação isolada dos resultados apresentados.
O uso desta ferramenta é de inteira responsabilidade do usuário, que deve validar todos os resultados antes de qualquer aplicação prática ou tomada de decisão.
Ao continuar, você declara ter lido e concordado com os termos acima.
TaludePro — Calculadora de Taludes
Estabilidade por equilíbrio-limite · Fellenius e Bishop Simplificado · NBR 11.682
Manual interativo
Ir direto para
Identificação
1 · Geometria do maciço
Pé do talude na origem (x = 0, y = 0). Terreno horizontal antes do pé e após a crista.
2 · Bermas de equilíbrio
Cota medida a partir do pé (0 < cota < H). Largura mínima 1,0 m; espaçamento vertical mínimo 2,0 m.
3 · Estratigrafia
Camadas horizontais definidas pela cota do topo. A camada de menor cota estende-se em profundidade. γ em kN/m³, c′ em kPa, φ′ em graus.
4 · Água e poropressão
NA horizontal: u = γw·(NA − ybase), com γw = 9,81 kN/m³. Modelo ru: u = ru·σv.
5 · Cargas
6 · Critério de segurança (NBR 11.682)
Fator de segurança
—
Aguardando cálculo
0,51,01,5≥ 2,0
Método e busca
—
Avaliação técnica
Preencha os dados e execute o cálculo.
Seção transversal
Superfície críticaNível d'águaCotas e dimensões
Tabela de fatias da superfície crítica
#
x (m)
y base (m)
h (m)
b (m)
W (kN/m)
α (°)
L (m)
c′ (kPa)
φ′ (°)
u (kPa)
Camada
Sugestão automática de configuração
Histórico de cálculos desta sessão
#
Hora
H (m)
β (°)
Bermas
Método
FS
Situação
Manual do TaludePro
Guia interativo · estabilidade de taludes por equilíbrio-limite · NBR 11.682
Capítulo 1
O que o TaludePro faz
O TaludePro verifica a estabilidade de taludes de solo por equilíbrio-limite, com superfícies
de ruptura circulares e divisão do maciço em fatias verticais. Ele procura, entre milhares de
círculos possíveis, aquele que produz o menor fator de segurança — a superfície crítica — e compara
esse valor com o mínimo exigido pela NBR 11.682.
Tudo roda no seu navegador: não há envio de dados para servidores, e o arquivo funciona offline
(o único recurso que tenta acesso à internet é a biblioteca do relatório em PDF, que possui alternativa
local via impressão do navegador).
O que ele entrega
FS pelos métodos de Fellenius (ordinário) e Bishop Simplificado, ou os dois lado a lado;
desenho da seção transversal com estratigrafia, bermas, nível d'água e círculo crítico;
tabela de fatias com W, α, L, c′, φ′ e u de cada fatia (exportável em CSV);
otimizador que sugere ângulo e bermas de menor ocupação em planta atendendo ao FS alvo;
relatório em PDF, imagem PNG da seção e projeto em JSON;
projetos salvos no próprio navegador (localStorage).
O que ele não faz
▲Fronteiras do modelo
Não analisa superfícies não circulares (cunhas, planos, ruptura em juntas de rocha), não modela redes de
fluxo transiente, não dimensiona elementos de reforço (tirantes, solo grampeado, geogrelhas, cortinas),
não trata análise dinâmica no tempo, nem recalque/deformação. O modelo é bidimensional, em seção plana,
e assume comportamento rígido-plástico com critério de Mohr-Coulomb.
Como este manual está organizado
Começar — visão geral, início rápido e mapa da tela;
Teoria — o que é FS e como o método das fatias chega a ele;
Entradas — um capítulo para cada bloco do painel esquerdo;
Cálculo — como a superfície crítica é procurada, com laboratório interativo;
Saídas — leitura dos resultados, otimizador, projetos e exportações;
Apoio — erros comuns, glossário, quiz e limites de responsabilidade.
✦Atalhos? abre este manual · Esc fecha · ← e → navegam entre
capítulos · o botão Tour guiado destaca os campos reais da tela, um a um.
Capítulo 2
Início rápido em 6 passos
Marque cada item conforme avança — o progresso fica salvo neste navegador. Os botões Mostrar na tela
fecham o manual e destacam o campo correspondente.
iRecálculo automático
Alterar qualquer campo de geometria, água, cargas, método ou refinamento dispara um novo cálculo
imediatamente. Não é preciso clicar em Calcular a cada ajuste.
Capítulo 3
Mapa da tela
Clique em cada área do esquema abaixo para entender sua função.
Barra superior — projetos, exportações, relatório e manual
Painel de entrada (6 blocos numerados)
Calcular · Otimizar barra de progresso
Cartões de resultado — FS, método, avaliação
Seção transversal desenhada
Tabela de fatias · Histórico da sessão
Selecione uma área do esquema.
✦Layout responsivo
Em telas com menos de 960 px o painel de entrada passa a ficar acima dos resultados, e o desenho da seção
ganha rolagem horizontal — o conteúdo é o mesmo.
Capítulo 4
O que é o fator de segurança
No equilíbrio-limite, o FS é a razão entre o que o solo resiste e o que a gravidade (e as demais
ações) mobiliza ao longo de uma superfície de ruptura hipotética:
FS = Σ (forças resistentes) ⁄ Σ (forças mobilizadoras)
FS < 1 → a massa não se sustenta · FS = 1 → equilíbrio iminente · FS > 1 → há reserva de resistência
A resistência disponível segue o critério de Mohr-Coulomb em tensões efetivas:
τf = c′ + (σ − u) · tan φ′
c′ = coesão efetiva · φ′ = ângulo de atrito efetivo · σ = tensão normal total · u = poropressão
Repare que a poropressão subtrai tensão normal: quanto mais alto o nível d'água, menor a parcela
de atrito mobilizável e menor o FS. É por isso que drenagem é, quase sempre, a intervenção de melhor
relação custo-benefício em taludes.
Por que superfícies circulares
Em maciços de solo relativamente homogêneos, a superfície de ruptura observada em campo aproxima-se bem
de um arco de círculo. A hipótese circular reduz a busca a três incógnitas — centro (Xc,
Yc) e raio R — o que permite varrer sistematicamente milhares de candidatas.
▲Quando o círculo não serve
Camada mole fina e contínua sobre material rígido, planos de fraqueza herdados de rocha, contatos
solo-rocha inclinados, aterros sobre geossintéticos: nesses casos a ruptura tende a ser composta ou
planar, e o FS circular pode ficar contra a segurança. Use software de superfície genérica.
O FS não é uma probabilidade
FS = 1,45 não significa "45% de folga contra o colapso". Ele expressa a razão entre resistência e
solicitação para os parâmetros adotados. Um FS alto obtido com c′ e φ′ otimistas, ou com nível
d'água subestimado, é menos seguro do que um FS modesto obtido com parâmetros bem investigados.
O FS mínimo normativo existe justamente para cobrir essa incerteza.
Capítulo 5
Método das fatias: anatomia
A massa delimitada pelo círculo é dividida em fatias verticais de mesma largura b. Para cada
fatia calculam-se peso, inclinação da base e resistência disponível; o FS global sai do somatório.
Clique nos elementos do desenho (ou nas etiquetas abaixo) para ver o significado de cada grandeza.
Clique em um elemento do desenho ou em uma etiqueta acima.
Fellenius (método ordinário)
Despreza as forças entre fatias e projeta o peso diretamente nas direções normal e tangencial à base.
A solução é direta, sem iteração:
FS = Σ [ c′·L + (W·cosα − u·L) · tanφ′ ] ⁄ Σ (W · senα)
conservador; pode subestimar o FS em 5 % a 20 %, sobretudo com poropressão alta e círculos profundos
Bishop Simplificado
Admite forças horizontais entre fatias (componentes verticais nulas) e satisfaz o equilíbrio de momentos.
O FS aparece nos dois lados da equação, exigindo iteração:
FS = Σ [ ( c′·b + (W − u·b) · tanφ′ ) ⁄ mα ] ⁄ Σ (W · senα)
mα = cosα + senα · tanφ′ ⁄ FS
o programa parte de FS = 1,3 e itera até variação < 1×10⁻⁴, com limite de 60 iterações
Bishop é mais preciso e é o método padrão do TaludePro. Fellenius permanece útil como verificação
conservadora e por ser exigido em algumas rotinas de checagem.
Ações pseudo-estáticas
Com kh e kv não nulos, o peso vertical vira W(1 − kv) e acrescenta-se a
força horizontal kh·W, que entra no denominador (mobilizadora) e reduz a normal efetiva.
iConvergência
Se em alguma fatia mα ≤ 0,05, o círculo é descartado — situação típica de bases muito
inclinadas na cabeceira. Isso é normal na varredura e não indica erro de entrada.
Capítulo 6
Bloco 1 — Geometria do maciço
Campo
Unidade
Faixa
Significado
Altura total H
m
0 – 100
Desnível vertical entre o pé e a crista, incluindo os trechos interrompidos por bermas.
Ângulo β
graus
10 – 80
Inclinação da face em relação à horizontal. Corresponde a 1V:(1/tanβ)H.
O perfil é montado assim: terreno horizontal à esquerda, pé na origem (0,0), face inclinada em β
(interrompida pelos patamares das bermas) e platô horizontal a partir da crista. O avanço horizontal
total da face — o footprint, que define a faixa de domínio necessária — vale:
footprint = H ⁄ tan β + Σ (larguras das bermas)
β
Inclinação
Leitura prática
18,4°
1V:3H
Talude suave, comum em aterros de solo de baixa resistência.
26,6°
1V:2H
Padrão frequente em cortes e aterros rodoviários.
33,7°
1V:1,5H
Solos residuais de boa qualidade, com drenagem.
45°
1V:1H
Exige coesão significativa e controle rigoroso de água.
63,4°
2V:1H
Praticamente só em saprolito/rocha alterada ou com contenção.
✦Estratégia de projeto
Aumentar H eleva as tensões e reduz o FS de forma aproximadamente proporcional; reduzir β aumenta o FS,
mas consome área. Quando a faixa de domínio é escassa, compare abatimento com bermas usando o
Otimizador (capítulo 15).
Capítulo 7
Bloco 2 — Bermas de equilíbrio
Bermas são patamares horizontais que interrompem a face. Elas reduzem a altura livre de cada lance,
quebram a energia do escoamento superficial e criam acesso para manutenção e instrumentação.
Campo
Regra validada pelo programa
Cota (m)
Medida a partir do pé; deve satisfazer 0 < cota < H.
Largura (m)
Mínimo de 1,0 m. Para manutenção com equipamento, adote 3,0 m ou mais.
Espaçamento
Diferença de cota entre duas bermas consecutivas ≥ 2,0 m.
Se alguma regra for violada, o cálculo é interrompido com uma mensagem listando exatamente qual berma
está fora dos limites. Use o botão × ao lado da linha para remover uma berma.
iPrática usual em obras brasileiras
Bermas a cada 5–10 m de altura, com 3–4 m de largura, canaleta de crista e de berma revestida e leve
contra-declividade para dentro do talude. Em taludes de mineração e grandes cortes rodoviários, o
espaçamento vertical costuma acompanhar o alcance do equipamento de manutenção.
▲Berma não é solução mágica
Bermas estreitas em círculos profundos alteram pouco o FS, porque a superfície crítica passa longe da
face. Se o FS não reagir à inclusão de bermas, verifique no desenho se o círculo crítico é profundo —
nesse caso, atue na drenagem ou nos parâmetros da camada fraca.
Capítulo 8
Bloco 3 — Estratigrafia
As camadas são horizontais e definidas pela cota do topo, medida no mesmo referencial do
talude (pé = 0). A camada de menor cota estende-se indefinidamente em profundidade — ou seja, sempre
existe material sob a superfície de ruptura.
Parâmetro
Unidade
Faixa aceita
Observação
Cota do topo
m
—
Use um valor alto (ex.: 100) para a camada superficial que envolve todo o talude.
γ (peso específico)
kN/m³
10 – 26
Adote o peso específico natural; abaixo do NA o empuxo já é considerado via poropressão.
c′ (coesão efetiva)
kPa
0 – 500
Areias limpas: c′ = 0. Cuidado com coesão aparente de sucção, que desaparece na saturação.
φ′ (atrito efetivo)
graus
0 – 50
Análise não drenada (Su) é representada por φ′ = 0 e c′ = Su.
Banco de solos incorporado
O seletor traz valores típicos de referência para pré-dimensionamento. Filtre a lista abaixo para
consultar rapidamente. Estes valores não substituem investigação geotécnica.
Solo
γ (kN/m³)
c′ (kPa)
φ′ (°)
!Fonte dos parâmetros
Em projeto executivo, c′ e φ′ devem vir de ensaios (triaxial CU/CD, cisalhamento direto) ou de
correlações justificadas com SPT/CPT, sempre com relatório de investigação assinado. Tabelas genéricas
servem apenas para estudos preliminares e análise de sensibilidade.
Capítulo 9
Bloco 4 — Água e poropressão
É o parâmetro que mais influencia o FS. O programa oferece três modelos:
Nível d'água horizontal
u = γw · (NA − ybase), com γw = 9,81 kN/m³
a cota do NA deve estar entre 0 e H; fatias com base acima do NA recebem u = 0
Representa lençol freático estático. É simples e adequado quando há leituras de piezômetro ou medidor
de nível d'água indicando um freático razoavelmente plano.
Coeficiente ru
u = ru · σv, com σv = W ⁄ b
faixa aceita: 0 a 0,60
Modelo adimensional que distribui a poropressão proporcionalmente à tensão vertical. Útil quando não há
piezometria confiável, em barragens de terra e em estudos paramétricos de chuva.
ru
Situação representada
0,00
Maciço drenado, sem poropressão.
0,10 – 0,20
Drenagem eficiente, freático baixo.
0,25 – 0,35
Condição usual de verificação em maciços de terra.
u = 0 em todas as fatias. Use apenas para verificação de referência ou taludes comprovadamente acima do
freático, com drenagem garantida em toda a vida útil.
▲Verificação crítica
A NBR 11.682 exige avaliar a condição mais desfavorável previsível. Em clima tropical, isso normalmente
significa o freático elevado por chuva prolongada — não a condição do dia da sondagem. Rode ao menos
duas hipóteses (seca e saturada) e registre ambas no relatório.
Capítulo 10
Bloco 5 — Cargas
Campo
Faixa
Efeito no cálculo
Sobrecarga q (kPa)
0 – 200
Acrescenta q·b ao peso das fatias situadas no platô da crista. Fatias na face inclinada não recebem sobrecarga.
kh
0 – 0,30
Coeficiente sísmico horizontal: adiciona kh·W como ação desestabilizadora.
kv
0 – 0,20
Coeficiente sísmico vertical: o peso efetivo passa a W·(1 − kv).
Referências de sobrecarga
tráfego rodoviário na crista: 10 a 20 kPa;
pátio de estacionamento leve: 5 a 10 kPa;
edificação térrea próxima à crista: 20 a 30 kPa;
equipamento pesado / bota-fora temporário: 30 a 60 kPa (verifique caso a caso).
iSismicidade no Brasil
A maior parte do território é de baixa sismicidade e a verificação pseudo-estática costuma ser dispensada.
Os coeficientes ficam disponíveis para regiões e obras específicas (barragens, áreas de sismicidade
induzida, requisitos contratuais internacionais). Na dúvida, mantenha kh = kv = 0
e registre a hipótese.
Capítulo 11
Bloco 6 — Critério de segurança
A NBR 11.682 cruza dois níveis de consequência — risco de perda de vidas e danos materiais e
ambientais — para definir o FS mínimo. Clique numa célula para ver o significado da combinação.
Vidas ⁄ Danos
Alto
Médio
Baixo
Alto
1,50
1,50
1,40
Médio
1,50
1,40
1,30
Baixo
1,40
1,30
1,20
Selecione uma combinação na tabela.
Como o programa usa esses valores
ao trocar qualquer um dos dois seletores, o campo FS mínimo é preenchido automaticamente;
o campo permanece editável — critérios contratuais, de órgão financiador ou de norma
estrangeira podem exigir valores diferentes;
o FS mínimo define a cor do cartão de resultado, o texto da avaliação técnica e o alvo usado pelo
otimizador.
Método, fatias e refinamento
Campo
Opções
Quando usar
Método
Bishop · Fellenius · Comparar os dois
Bishop como padrão; "Comparar" calcula Fellenius na mesma superfície crítica e mostra a diferença.
Nº de fatias
20 · 30 · 40 · 60
30 atende à maioria dos casos. Use 40–60 em estratigrafia com muitas camadas finas.
Refinamento
Rápido · Normal · Fino
Rápido para tateio; Normal para projeto; Fino para verificação final e relatório.
▲Confirme a edição vigente
Os valores acima refletem a tabela de níveis de segurança da NBR 11.682. Antes de emitir o relatório,
confirme a edição em vigor da norma e eventuais exigências específicas do órgão contratante.
Capítulo 12
Como a superfície crítica é encontrada
O FS depende do círculo escolhido. O programa executa uma busca em duas etapas:
Etapa 1 — varredura em grade
Centros são distribuídos numa malha retangular acima do talude, e para cada centro são testados vários
raios. A extensão da grade é proporcional a H e ao avanço da face:
Xc ∈ [ −0,25·xcrista ; 1,35·xcrista ] · Yc ∈ [ 0,7·H ; 2,6·H ]
raios entre o mínimo que tangencia a superfície e o máximo que ainda intercepta o maciço
Refinamento
Grade (X × Y × R)
Círculos testados
Refino local
Rápido
9 × 7 × 7
≈ 440
não
Normal
13 × 10 × 9
≈ 1.170
sim
Fino
17 × 13 × 11
≈ 2.430
sim
Etapa 2 — refino local
A partir do melhor círculo da grade, um algoritmo de busca por padrão desloca centro e raio em passos de
0,06·H, aceitando apenas movimentos que reduzam o FS. O passo é dividido pela metade quatro vezes,
convergindo para o mínimo local com precisão bem maior que a da grade.
Círculos descartados
base mais profunda que 0,6·H abaixo do pé;
inclinação de base |α| > 80° em alguma fatia;
menos de 60 % das fatias válidas (círculo tangencia pouco o maciço);
não convergência de Bishop (mα ≤ 0,05).
iTop 5 círculos
O botão Top 5 círculos no desenho mostra as cinco superfícies de menor FS da varredura. Se elas
estiverem muito dispersas, há mais de um mecanismo de ruptura competindo — vale investigar cada região
separadamente e refinar a estratigrafia.
Capítulo 13
Laboratório interativo
Este simulador usa o mesmo motor de cálculo do programa, em modo rápido, sobre um talude de camada
única. Mova os controles e observe como cada variável altera o FS e a posição da superfície crítica —
sem afetar o seu projeto aberto na tela principal.
FS — Bishop Simplificado
—
ajuste os controles
✦Experimentos sugeridos
1) Deixe o NA em 0 % e suba até 100 %: veja a queda do FS sem alterar mais nada.
2) Escolha "Areia fofa" (c′ = 0) e reduza β: observe que o FS tende ao valor de tanφ′/tanβ.
3) Compare 0, 1 e 2 bermas mantendo β fixo — e depois use o otimizador na tela principal para ver a
troca entre ângulo, bermas e ocupação em planta.
Capítulo 14
Como ler os resultados
Cartão do fator de segurança
Mostra o FS com três casas decimais e um selo colorido de situação, além da régua estratificada
(vermelho → amarelo → verde) com o marcador na posição do FS obtido:
Cor
Selo
Significado
Vermelho
INSTÁVEL
FS < 1,00 — as ações superam a resistência. Revisar concepção geométrica e prever estabilização e drenagem.
Amarelo
ABAIXO DO MÍNIMO
1,00 ≤ FS < FS mínimo — há equilíbrio, mas sem a margem exigida pela norma.
Verde
ATENDE AO MÍNIMO
FS ≥ FS mínimo adotado, condicionado à representatividade dos parâmetros e à drenagem em serviço.
Cartão de método e busca
Traz o método empregado, o número de iterações de Bishop, as coordenadas do centro e o raio do círculo
crítico e, no modo "Comparar os dois", o FS de Fellenius na mesma superfície — a diferença entre
ambos é uma medida direta do conservadorismo do método ordinário.
Seção transversal
Mostrar fatias — desenha a discretização usada, útil para conferir se o número de fatias
representa bem as camadas;
Top 5 círculos — sobrepõe as cinco superfícies mais críticas da varredura;
Exportar PNG — salva a imagem da seção para o memorial de cálculo.
Tabela de fatias
Coluna
Significado
x, y base
Coordenadas do ponto médio da base da fatia (m).
h, b
Altura média e largura da fatia (m).
W
Peso por metro de profundidade (kN/m), incluindo sobrecarga quando aplicável.
α
Inclinação da base (graus). Negativa na cabeceira, positiva no pé.
L
Comprimento da base (m), igual a b/cos α.
c′, φ′
Parâmetros da camada interceptada pela base da fatia.
u
Poropressão na base (kPa), conforme o modelo de água escolhido.
O resumo ao lado do título traz o número de fatias e o somatório ΣW. O botão Exportar CSV gera
planilha com todas as colunas para conferência independente do cálculo.
✦Histórico da sessão
Cada cálculo é registrado com hora, H, β, nº de bermas, método, FS e situação — até 12 registros. É a
forma mais prática de comparar alternativas antes de decidir. O histórico não é salvo ao fechar a página.
Capítulo 15
Sugestão automática de configuração
O botão Sugerir configuração automática procura a geometria de menor avanço horizontal
(menor ocupação em planta) que ainda atenda ao FS mínimo definido, mantendo fixos solo, água e cargas.
Espaço de busca
configurações sem berma, com 1 berma e com 2 bermas;
larguras candidatas de 2,0 · 3,0 · 4,0 m, em cotas igualmente espaçadas ao longo de H;
para cada combinação, o ângulo β é obtido por busca binária entre 14° e 68°, procurando o
maior β que ainda satisfaz FS ≥ alvo;
combinações cujo espaçamento vertical resultaria em menos de 2,0 m são descartadas.
A tabela de saída lista todas as alternativas com β máximo viável, FS, avanço horizontal e o selo
viável / não atinge. O botão Aplicar esta configuração e recalcular transfere a
recomendação para o painel de entrada e refaz a análise completa.
▲Leia como ponto de partida
O otimizador avalia apenas geometria. Ele não pondera custo de terraplenagem, desapropriação, volume de
corte/aterro, drenagem, revestimento vegetal ou soluções de contenção — que frequentemente dominam a
decisão. Trate o resultado como uma alternativa de referência, a ser confrontada com o projeto.
iNenhuma configuração viável?
Significa que, com os parâmetros informados, nem um talude de 14° atinge o FS alvo. Nesse caso o caminho
é reduzir a poropressão (drenagem profunda, DHP, trincheiras), revisar os parâmetros de resistência com
ensaios, ou partir para soluções estruturais — fora do escopo desta ferramenta.
Capítulo 16
Projetos, importação e relatórios
Comando
O que faz
Salvar projeto
Grava no navegador (localStorage) todos os campos, bermas e camadas, usando o nome do projeto como chave.
Projetos salvos… / Abrir
Restaura um projeto gravado e recalcula automaticamente.
Excluir
Remove o projeto selecionado, com confirmação.
Exportar JSON
Baixa um arquivo com os dados de entrada — ideal para versionar, anexar ao processo ou compartilhar.
Importar JSON
Carrega um arquivo exportado anteriormente e recalcula.
Exportar CSV
Tabela completa de fatias da superfície crítica.
Exportar PNG
Imagem da seção transversal desenhada.
Relatório PDF
Documento com dados de entrada, resultados, seção e tabela de fatias.
▲localStorage não é backup
Os projetos ficam apenas neste navegador e neste computador. Limpar dados de navegação, trocar de
máquina ou usar janela anônima faz os registros desaparecerem. Para arquivamento definitivo, exporte
sempre o JSON e guarde-o junto com as demais peças do projeto.
iSobre o PDF
A geração usa uma biblioteca carregada sob demanda. Sem internet, o programa recorre automaticamente à
impressão do navegador — escolha "Salvar como PDF" na caixa de impressão; o layout de impressão já oculta
painéis e botões, preservando resultados e seção.
Fluxo recomendado para memorial de cálculo
calcule na condição de projeto (refinamento Fino) e gere o PDF;
repita para a condição crítica de água e gere um segundo PDF;
exporte o JSON de cada hipótese, com nomes que identifiquem a condição;
anexe o CSV das fatias quando houver necessidade de conferência de terceiros;
registre no memorial a origem de c′, φ′ e γ e a referência da investigação geotécnica.
Capítulo 17
Erros comuns e como resolver
Sintoma
Causa provável
Solução
"Nenhuma superfície admissível encontrada"
Geometria degenerada: H muito pequeno, β extremo, bermas somando mais que a face.
Revise H e β; reduza número/largura de bermas; confira se as cotas das bermas estão entre 0 e H.
FS absurdamente alto (> 5)
c′ elevado demais para a camada superficial, ou talude seco em solo coesivo.
Confira as unidades (c′ em kPa, não em kgf/cm²) e teste a condição saturada.
FS não muda ao inserir bermas
A superfície crítica é profunda e passa longe da face.
Ative Mostrar fatias/Top 5; atue na camada fraca profunda e na poropressão.
Camada nova não aparece no desenho
Cota do topo maior que a da camada existente, que a "cobre" na ordenação.
Lembre-se: as camadas são ordenadas por cota decrescente; ajuste as cotas de topo.
Mensagem de validação ao calcular
Algum parâmetro fora das faixas aceitas (γ, c′, φ′, NA, ru, q, k).
A mensagem indica exatamente o campo e a camada — corrija o valor apontado.
Bishop e Fellenius muito distantes
Poropressão alta e círculo profundo — situação em que o método ordinário é bastante conservador.
Adote Bishop como referência e registre a comparação no memorial.
Resultado muda ao aumentar o refinamento
A grade grossa não capturou o mínimo global.
Use Fino para o cálculo final; diferenças acima de 2 % merecem investigação.
Projetos sumiram
Limpeza de dados do navegador, outro perfil ou janela anônima.
Restaure a partir do JSON exportado; adote o hábito de exportar sempre.
Capítulo 18
Glossário técnico
Equilíbrio-limite — método que compara resistência disponível e solicitação ao longo de uma superfície de ruptura suposta, sem calcular deformações.
Fator de segurança (FS) — razão entre forças (ou momentos) resistentes e mobilizadores na superfície crítica.
Superfície crítica — entre todas as superfícies testadas, a que apresenta o menor FS.
Fatia — faixa vertical em que a massa potencialmente instável é dividida para o cálculo.
Fellenius (método ordinário) — formulação que despreza forças entre fatias; solução direta e conservadora.
Bishop Simplificado — formulação que considera forças horizontais entre fatias e satisfaz equilíbrio de momentos; exige iteração.
c′ (coesão efetiva) — parcela da resistência independente da tensão normal, em tensões efetivas.
φ′ (ângulo de atrito efetivo) — parcela da resistência proporcional à tensão normal efetiva.
γ (peso específico) — peso por unidade de volume do solo, em kN/m³.
Poropressão (u) — pressão da água nos vazios; reduz a tensão normal efetiva e, com ela, a resistência ao cisalhamento.
Tensão efetiva (σ′) — σ − u; é ela que governa a resistência do solo.
ru — coeficiente de poropressão: razão entre u e a tensão vertical total no ponto.
Nível d'água (NA) — cota do freático; aqui tratado como horizontal e estático.
Berma — patamar horizontal que interrompe a face do talude, reduzindo a altura livre de cada lance.
Crista — aresta superior do talude, onde a face encontra o platô.
Pé — base do talude; aqui, a origem do sistema de coordenadas (0,0).
Footprint (avanço horizontal) — projeção horizontal total da face, incluindo as bermas; define a faixa de terreno consumida.
Análise pseudo-estática — representação simplificada do sismo por forças estáticas equivalentes kh·W e kv·W.
Análise não drenada — condição de curto prazo em solos finos saturados, representada por φ = 0 e c = Su.
Su (resistência não drenada) — resistência ao cisalhamento em condição não drenada.
Saprolito — solo residual que preserva a estrutura da rocha de origem.
Tálus / colúvio — depósitos de encosta transportados por gravidade, frequentemente instáveis e heterogêneos.
NBR 11.682 — norma brasileira de estabilidade de encostas, que estabelece os níveis de segurança e os FS mínimos.
Capítulo 19
Teste seus conhecimentos
Oito perguntas sobre o uso correto da ferramenta e os conceitos por trás dela. Cada resposta traz uma
explicação — errar aqui é parte do aprendizado.
Capítulo 20
Limitações e responsabilidade técnica
Hipóteses do modelo
análise bidimensional, em seção plana, com deformação plana implícita;
superfícies de ruptura exclusivamente circulares;
camadas horizontais, definidas pela cota do topo;
comportamento rígido-plástico com critério de Mohr-Coulomb;
poropressão por NA horizontal estático ou por ru uniforme — sem rede de fluxo;
Fellenius despreza forças entre fatias; Bishop admite apenas componentes horizontais;
não são considerados reforços, contenções, tirantes, drenos profundos ou vegetação.
O que a ferramenta não substitui
!Responsabilidade técnica
O TaludePro é ferramenta de apoio ao projeto e à verificação. Os resultados dependem inteiramente da
qualidade dos parâmetros adotados e não substituem investigação de campo, ensaios de laboratório,
instrumentação, nem a análise e a decisão de profissional legalmente habilitado, com a devida ART/RRT.
Boas práticas de verificação
rode ao menos duas condições de água (seca e crítica) e registre ambas;
faça análise de sensibilidade em c′ e φ′ (± 20 %) antes de fechar a geometria;
confira a coerência do círculo crítico com o mecanismo observado ou esperado em campo;
confronte, quando possível, com outra ferramenta ou método independente;
documente no memorial a origem de cada parâmetro e a edição da norma aplicada.
Manual interativo do TaludePro — conteúdo
didático de apoio. Confirme sempre a edição vigente da NBR 11.682 e as exigências específicas do órgão
contratante.